O educador e o ambiente onde está atuando devem transpirar vida, precisam demonstrar que existe alguém vivo por ali. As pessoas, os programas e principalmente alguém que está disposto a educar, não podem ser desanimados ou falhar na transmissão do entusiasmo, pois esta é uma característica daqueles que acreditam no que estão falando. Além disso,as pessoas são atraídas à vida e vida tem a ver com dinamismo, toque, calor humano, alegria, ingredientes fundamentais para qualquer atividade humana.
Um educador deveria ser cuidadoso com esta área da vida. Se não possui esta característica naturalmente, deve procurar cultivá-la, treinar, lapidá-la, pedir ajuda, mas jamais se permitir conduzir um trabalho de maneira apática e morna. É comum as pessoas acharem que ensinar é uma tarefa árdua, um peso, pois dizem que as crianças e jovens de hoje estão assim ou assado. Não há como negar que os nossos tempos são bem desafiadores em todos os sentidos, mas não apenas para os jovens. Além disso, há 30 anos existiam outros problemas e desafios que foram superados e assim é a vida com seus problemas e soluções, com seus fracassos e sucessos, com seus limites e superações em todas as gerações e por isso é preciso muito entusiasmo. Hoje em dia, muitas das deficiências da infância, adolescência e juventude ficam por conta da atuação quase ausente dos pais em suas vidas. Mediante um episódio recente da fuga de duas adolescentes, ouvimos o depoimento da mãe que dizia ser tão legal com a filha e por isso não entendia como isto aconteceu. Mas espera aí: a primeira atribuição dos pais não é de serem “legais”, eles devem ser pais, com demonstração de afeto, apoio, bem como disciplina e direção, pois são eles que atuam na formação da identidade e destino de seus filhos e também podem ser educadores contagiantes.
Esta vivacidade da qual falo não deve ser uma atuação quase que teatral para procurar convencer ou empolgar. Deve ser fruto de uma ebulição interior, de uma expectativa interna, deve ser resultado da mistura de fé, coragem, alegria, planos, sonhos e amor. Esta vivacidade também não é necessariamente ficar rindo o tempo todo para tudo e para todos, não significa uma oratória impecável e muito menos micagens engraçadas, muito embora a comunicação é uma ferramenta fundamental para se transmitir a vivacidade. É tão bom quando um educador consegue ter uma linguagem simples no sentido de clareza, atraente por meio de histórias e exemplos e também, porque não, com um toque de bom humor. Tudo isto dosado com bom senso, torna sua mensagem muito mais fácil de ser compreendida e ensinada. Vivacidade portanto é uma qualidade especial para quem deseja liderar, instruir, treinar e educar e pode ser praticada das mais variadas formas, combinando improviso com um bom trabalho de planejamento, explorando os aspectos criativos na construção da mensagem. Não basta ser bom, é preciso ser vivaz !